The Global Leadership Summit I

Em 2009, quando ouvi falar pela primeira vez do The Global Leadership Summit, fiz uma série de questionamentos para mim mesmo: Por que um evento desse porte é promovido por uma entidade cristã (e evangélica)? Por que deveria ir a esse tipo de evento? Qual é a intenção que há por trás? Eu, baseado nos conceitos preconcebidos sobre a igreja evangélica, em virtude dos ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias que temos vistos nos horários pagos da TV, fui com um pé atrás.

É verdade que, por já estar frequentando a Cidade Viva, pude ver que havia exceção nesse mundo de interesse baseado na fé. Algo como os novos evangélicos, um movimento de fiéis que critica o consumismo, a corrupção e os dogmas das igrejas – e propõe uma nova reforma protestante, capa da Revista Época.

O Summit’2009 contou com a presença de pessoas de renome internacional, cristãos e não cristãos, apresentando vários temas para crescimento, seja pessoal, profissional ou espiritual. O evento é organizado pelo Willow Creek Community Church, de Chicago – EUA e transmitido para vários países ao redor do mundo, sendo, na Paraíba, apoiado pela Cidade Viva. A transparência na forma de discutir os diversos temas bem como o incentivo ao pensamento crítico, não impondo ou forçando ninguém à nada, respeitando as escolhas pessoais de cada um, foi que me fez gostar e comparecer, novamente, na edição 2010.

O evento que ocorreu nos dias 05 e 06 de Novembro iniciou com a palestra do Pr Sérgio Queiroz, fundador da Cidade Viva, sobre ‘Gestão de Mudança’. Excelente, por sinal. Fomos levados a refletir sobre o que nos impede de mudar em determinados momentos da vida, seja pessoal ou profissionalmente. O que poderia impedir? Zona de conforto, medo de errar, medo da rejeição, paradigmas consolidados e, sobretudo, o sucesso, foram alguns dos fatores levantados pelo pastor. Achei interessante o exemplo dado para esse último fator. Em tempos passados, a economia da Suíça era sustentada em sua maior parte pelo mercado de relógios analógicos. O sucesso era impressionante. Em uma das conferências realizadas para discutir o mercado de relógio, um suíço apresentou uma proposta de relógio digital, algo que foi prontamente rejeitado pelas autoridades e empresas do ramo, acostumadas com o sucesso do modelo atual até então. Para o azar dos suíços, a proposta foi comprada por um japonês, representante da Seiko, que levou a ideia adiante, cresceu com a venda de relógios digitais e proporcionou uma queda na economia suíça, diante da aceitação pelo mercado desse novo modelo. E com isso, a Suíça não foi mais a mesma…

Como fazer para que o sucesso não se torne um inimigo? Aprendizagem contínua e adaptabilidade foram os fatores citados. Nunca sabemos de tudo, sempre há algo a aprender. Nem sempre estamos prontos para qualquer trabalho, sempre há algo a adaptar.

Pr Sérgio também citou 6 passos para quem almeja mudar: Aprenda a perguntar a razão das coisas serem como são. Interessante… Principalmente no próprio meio evangélico, onde se existe de tudo, e cada vez menos o cristianismo puro e simples, pessoas que se aproveitam da fragilidade de muitos para benefício próprio, em que argumentos são impostos para manter o controle das marionetes que não têm a abertura para despertar seu senso crítico.

Os demais passos foram: Desenvolva senso de inquietação e urgência no presente e antecipação de cenários futuros; Desenvolva o aprendizado contínuo; Aprenda a fotografar o invisível, visualizando seu objetivo, e agindo para torná-lo visível; Para cada visão, tenha uma ação; Não tente mudar o que é padrão eterno.

Em seguida, Bill Hybels, pastor da Willow Creek Community Church apresentou a palestra ‘Levando as pessoas ao fututro desejado’, enfatizando a necessidade de os líderes moverem as pessoas de uma realidade para outra não mostrando por que “lá” é maravilhoso, mas por que “aqui” é horrível, algo feito por Martin Luther King para pôr fim à discriminação racial nos EUA. Além disso, Hybels enfatizou a necessidade de celebrações quando marcos são atingidos ao longo do processo de mudanças, uma vez que é no decorrer do caminho até nosso objetivo que estamos mais susceptíveis a desistir. São celebrações e comemorações que tendem a nos manter no caminho, deixando-nos inspirados. Inclusive, pelo que consta, a diferença de produtividade entre pessoas inspiradas e não inspiradas pode chegar a 40%.

Outra palestra foi de Jim Collins, autor e consultor na área de negócios, intitulada ‘Não Desista Nunca’, em que falou que toda ação disciplinada requer que se tenha métricas estabelecidas para medir sucessos. Jim falou de sua ‘Ferramenta de Diagnóstico – de Bom a Excelente’, que pode ser baixada gratuitamente em www.jimcollins.com. Vou dar uma olhada com mais calma…

Em seguida foi apresentada a entrevista com Blake Mycoskie, fundador da Toms Shoes, que falou de como a doação está no centro de sua empresa. Mycoskie passou por uma experiência que o fez agir para tentar calçar quem não tinha condições para comprar um sapato. Ele então decidiu abandonar um investimento anterior para começar um novo. Em mãos, U$ 40 mil. E pensou: Criar uma organização sem fins lucrativos? E quando o dinheiro acabar, como continuar ajudando? Dependendo de ajudas externas? Foi aí que ele pensou em criar uma empresa de sapatos, a Toms Shows, com fins lucrativos, em que para cada sapato vendido, um era doado. Com isso, mais sapatos puderam ser doados. E continuam sendo! Mycoskie organizou o evento ‘Um Dia Sem Sapatos’, conseguindo obter atenção de maneira rápida de muita gente ao redor do mundo, através da Internet, obtendo apoio de várias empresas.

A última do dia foi de Christine Caine, pastora da Hillsong Church, com ‘Liderando a partir da esperança’. Mas essa eu perdi, pra resolver assuntos domésticos 🙂

Publicado em Geral | Marcado com | 3 Comentários

O quão ágeis devemos ser?

Inicio este post adaptando um trecho do livro de Henrik Kniberg e Matti Skarin: Qual o melhor talher: a faca ou o garfo ? Certamente essa pergunta não faz sentido quando não se tem um contexto definido. Para fatiar batatas, a faca é o melhor talher. Para comer uma macarronada, o garfo é o melhor talher. Para bater na mesa, reclamando pela demora na comida, qualquer um dos talheres pode ser utilizado. Para comer um bife, ambos os talheres são necessários. Para comer batata frita, alguns podem preferir usar um garfo, enquanto que outros podem preferir usar as próprias mãos.

Da mesma forma, alguns podem questionar qual o melhor processo, e assim como no caso dos talheres, a resposta depende do contexto. Existem contextos que exigem processos prescritivos, com muitas regras definidas, enquanto outros exigem processos adaptativos, com poucas regras definidas.  Na Figura abaixo visualizamos uma escala de comparação de alguns processos, como RUP, XP, SCRUM e Kanban. Kanban? Pois é… Kanban! Eu particularmente nunca tinha ouvido falar até ler o livro Kanban and Scrum – making the most of both. De maneira geral é uma espécie de task board mais elaborado para avaliar o trabalho em andamento (WIP – Work In Progress). Certamente não é algo a ser usado isoladamente, em substituição a todas as outras coisas, mas sim um complemento. E o mesmo vale para os demais, retirando-se o excesso do RUP, adicionando-se o que falta no SCRUM, complementando com as práticas do XP e assim vai. O SCRUMMI, um trabalho de mestrado, é um exemplo dessa mistura. Pelo menos na teoria parece legal.

Nos projetos que participei até então procuramos sempre utilizar práticas ágeis junto com o processo de desenvolvimento institucionalizado na empresa, embora muitas vezes atividades deste último sejam atropeladas. Falando um pouco dessa experiência, procuramos dividir as iterações em sprints de no máximo 2 semanas, definindo o sprint backlog (casos de uso ou parte deles) e acompanhando as atividades através do task board e reuniões diárias. O problema que acontece para esse cenário são as mudanças ou problemas inesperados que aparecem no meio das sprints, fazendo com que a prioridade das atividades sejam reajustadas e consequente não finalização da sprint conforme planejado. Apesar de não usar o SCRUM de fato, os conceitos e práticas relacionados ao mesmo têm se mostrado de grande valia.

Muitos reclamam dos processos, sendo alguns por os acharem complexos e detalhados, outros pelo simples fato de não gostarem de seguir processos. Estes últimos às vezes não se dão conta de que muitas das coisas que fazem na vida são guiadas por um processo. Acordamos, tomamos banho, tomamos café, nos arrumamos e vamos ao trabalho ou escola. Se uma dessas atividades não for realizada (propositalmente ou não), iremos sentir falta de alguma coisa: ficaremos fedidos, com fome ou desarrumados.

Diferentemente das atividades matinais acima, enraizadas em nossa cultura há muitos anos, em uma empresa de desenvolvimento de software de médio e grande porte haverá sempre (ou não?) um processo institucionalizado que não agrada a todos ao mesmo tempo. Sempre haverá discordância em algum ponto, seja por acharem determinadas atividades burocráticas demais, seja por acharem que devam ser feitas de maneira diferente. É pra isso que serve a melhoria contínua do processo.

Não me estendendo mais, muitas vezes o que falta é cultura. Cultura para fazer alguma coisa porque é necessário e não porque é obrigado a fazer. Às vezes preferimos ser “ágeis” e não realizamos uma atividade do processo por não achá-la importante ou por falta de planejamento \ falta de tempo e acabamos sofrendo as consequências mais na frente, ficando fedidos, com fome ou desarrumados.

Fiquem à vontade para comentar… 🙂

Publicado em TI | Marcado com , , , , | 2 Comentários

III Encontro Pernambucano de Gerenciamento de Projetos

Esta semana tive a oportunidade de participar do III Encontro Pernambucano de Gerenciamento de Projetos, organizado pelo Instituto de Gerenciamento de Projetos de Pernambuco (PMI-PE) e pela Câmara Americana de Comércio em Recife (Amcham Recife), cujo slogan foi  Gerenciando Expectativas em Projetos nos Próximos 10 anos. Das 12 palestras apresentadas nos dias 26 e 27 no prédio da FIEPE, em Recife, gostaria de comentar sobre três.

Na palestra Resiliência: A capacidade de enfrentar riscos e crises em projetos, o presidente da Sabbag Consultoria, Paulo Sabbag, falou da habilidade que uma pessoa desenvolve para resistir, lidar e reagir de modo positivo em situações adversas: a resiliência. Para o desenvolvimento ou estabelecimento da resiliência é preciso que haja a vontade de voltar ao estado original, de não deformar-se. Pessoas com alta resiliência possuem autoeficiência, autoconfiança, temperança (menor variação das emoções), proatividade, flexibilidade, empatia, tenacidade e otimismo. São características, claro, que todos almejam possuir, mas que com o dinamismo frenético do dia-a-dia se torna difícil. Mas como já dizia Albert Einstein, não dá pra conseguir resultados diferentes fazendo sempre a mesma coisa…

Na palestra Ferramentas de planejamento e controle do Melhor Projeto de 2009, o gerente geral Daniel Moczydlow falou das técnicas e ferramentas que usou no projeto FEED, eleito o melhor projeto do ano pela Revista Mundo PM (Project Management) e FGV (Fundação Getúlio Vargas), como a estrutura matricial, onde tinha-se um líder para cada módulo do projeto e um líder para cada área de conhecimento (tempo, custo, escopo, …); utilização de técnicas de BPM (Business Process Modeling); RWPP (Rolling Wave Project Planning), com ciclos semanais de revisão de entregas; Fast Tracking (Paralelismo), sendo este um dos principais riscos do projeto, com a necessidade de monitoramento constante para evitar retrabalho; SCRUM, com sprints de 2 a 3 semanas, com escopo flexível, com o planejamento das sprints feito através da técnica de planning poker. Um belo trabalho!

A palestra que mais chamou a atenção, pelo menos para mim, foi Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1: um Caso de Sucesso, apresentada pelo arquiteto e gerente de projeto Edson Machado. Ao longo de uma hora, o palestrante apresentou o tamanho e complexidade do projeto, com riscos de alta probabilidade de ocorrência e com restrições rigorosíssimas, como o horário exato de largada no domingo do Grande Prêmio. Com muito bom humor, Edson falou do projeto com a experiência de quem já o fez por 19 anos. Os entregáveis foram agrupados em Projetos, Contratações, Execução e Operação, tornando a EAP aparentemente simples… Quem dera! Só pra falar de algumas das exigências que tinham que ser atendidas: as carretas que transportavam os carros até o autódromo tinham que ter as cores da escuderia (5 primeiras equipes na classificação); restrição na localização das placas publicitárias sobre quais deviam ficar próximas umas das outras; pintura em verde ou azul em determinados locais para que a TV possa inserir anúncios publicitários virtualmente; tempo máximo de 90 segundos exigido pela FIA para transportar o piloto acidentado do cockpit até o hospital; dentre outros… O que não faltava no projeto era stakeholder, e cada qual com várias exigências que deviam ser geridas. Além das exigências, outra importante característica levantada foi o fator humano no projeto. Todos os funcionários, independente do papel que desempenhavam, tinham o objetivo de realizar o Grande Prêmio Brasil de F1. Desde o cortador de gramas até o gerente de projeto, todos almoçavam no mesmo local, compartilhando seus sentimentos. Ao final do projeto, um churrasco foi realizado com os funcionários e familiares, que receberam camisas dos patrocinadores com os dizeres: “Eu fiz um Grande Prêmio”. Além disso, houve uma preocupação com os stakeholders indiretos, os moradores ao redor do circuito, que receberam cestas básicas durante o ano, além de terem reformas consideráveis em suas comunidades. Mitigação de riscos foi o que não faltou… Muito show!

Mais sobre o evento em http://www.pmipe.org.br/evento2010/, onde serão disponibilizados os materiais das apresentações nos próximos dias.

Publicado em TI | Marcado com , | Deixe um comentário

A influência da música na produtividade

Hoje li uma reportagem sobre a influência negativa de se ouvir música na produtividade individual. “Os pesquisadores dizem que o estímulo sonoro é bom para preparar a mente antes do trabalho. Durante o expediente, as variações acústicas nos deixam confusos. E bem menos eficientes.” diz o texto.

Na mesma hora lembrei do que li em Peopleware, de Tom DeMarco. Durante os anos 60, pesquisadores da Cornell University conduziram uma série de testes sobre os efeitos de se trabalhar com música. Dividiram estudantes em dois grupos: os que gostavam de trabalhar com música e os que não gostavam. Eles colocaram metade de cada grupo juntos em uma sala silenciosa e a outra metade de cada grupo em uma sala diferente equipada com fones de ouvido. Foi dado um problema a ser programado em Fortran a partir de uma especificação. Os participantes nas duas salas realizaram a programação na mesma rapidez e com a mesma acurácia. A parte do cérebro requerida pra aritmética e tarefas lógicas (esquerda) é diferente da parte requerida para música (direita). A parte criativa exige da parte direita do cérebro.

Enfim, a influência da música depende do tipo de atividade que você está fazendo? Ou não? Cada um que tire suas próprias conclusões…

Publicado em TI | Marcado com , | Deixe um comentário

Começando…

Ok, my friend! Começando esse espaço para escrever coisas boas e ruins sobre minhas paixões: Futebol, Tecnologia da Informação e Viagens.

So, let’s start! 🙂

Publicado em Geral | Deixe um comentário