Relato sobre o VIII CBGP – Dias #2 e #3

palestraDeannaNo segundo dia, Deanna Landers, presidente do Conselho de Diretores do PMI, apresentou a palestra ‘Effective Communications with Executive Sponsor ensures Success‘ na qual comentou sobre a importância do patrocinador na facilitação para resolução de problemas e que 80% dos projetos de sucesso possuem patrocinadores ativos. Comentou ainda a importância da comunicação dos gestores de projeto para com os patrocinadores, respeitando seu tempo, apresentando confiança e sendo aberto e conciso, com informações objetivas e ‘não técnicas’.

ImageEm seguida, Pedro Trengrouse falou da oportunidade de projetos para Copa e Olimpíadas. Guti Fraga, em uma apresentação ‘mais relaxada’ falou do Projeto Social Nós do Morro. O presidente do PMI Portugal, Angelo Pinto comentou sobre Modelos de Maturidade em Gerenciamento de Projetos e Luis Alberto Urzúa, chefe dos mineiros resgatados no Chile em 2010, apresentou a palestra ‘Gestão de Equipes sob Tensão’ relatando sua experiência no episódio que marcou o Chile. Érico Fileno explicou o que é ‘Design Thinking e, por fim, Sylvain Gauthier, líder do PMO Cirque du Soleil, falou sobre como o maior circo do mundo gerencia seus espetáculos, citando um SCRUM como metodologia de gerenciamento ágil de projetos e sobre sua necessidade de conciliar projetos ‘normativos’ e ‘criativos’, enfatizando o papel do gestor de projeto como facilitador na resolução de problemas.

No terceiro dia, Américo Pinto apresentou a palestra ‘Técnicas e Práticas Avançadas para PMOs: O que há de mais inovador no Brasil e no mundo sobre o tema‘ na qual comentou sobre as funções e competências necessárias dos PMOs bem como modelos para avaliar a maturidade [PMO Maturity Model®] e o desempenho [PMO Performance Model®], sendo este último composto por indicadores, descrições e pesos, baseados no AHP, com foco no serviço, projeto e negócio.

Indicou o livro The Project Management Office (PMO): A Quest For Understanding e destacou o papel do PMO como prestador de serviços para diretoria executiva das organizações. Comentou do PMO Master Class, um programa de aperfeiçoamento de líderes de PMOs, no qual é coordenador técnico e, por fim, elencou as pesquisas na área como BSC para PMOs, modelo de análise de viabilidade de PMOs e guia com boas práticas de PMOs [espécie de ‘PMOBOK’].

Em seguida, Eduardo Freire apresentou a palestra sobre o Microsoft EPM citando algumas funcionalidades para gerência de portfólio, como o uso do AHP para apoio no planejamento estratégico.

Mário Trentim apresentou a palestra ‘Gerenciando Incertezas em Projetos de Inovação usando Strategic Choice Approach‘ e Finnochio falou sobre o ‘Project Model Canvas‘, ferramenta de facilitação visual, enfatizando a necessidade de planejamento orientado a compromissos em vez de cronogramas detalhados, também comentado por Trentim.

E foi isso… Evento muito interessante com palestras de alta qualidade, no qual tive a oportunidade de publicar o trabalho ‘O Gestor de Projetos como Facilitador de Processos de Apoio à Decisão: Uma Visão Complementar ao Guia PMBOK®‘ como poster.

Até o próximo… 🙂

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Relato sobre o VIII CBGP – Dia #1

ImageDe 05 a 07 de Junho foi realizado, em Goiânia – GO, o VIII Congresso Brasileiro de Gerenciamento de Projetos (CBGP), um dos maiores eventos no Brasil sobre o tema. Foi uma ótima oportunidade para networking e troca de experiências. Uma vez que as palestras aconteciam em paralelo em três trilhas: governo, tecnologia da informação e infraestrutura, tive que escolher algumas para participar. Nesse post falaremos das palestras do primeiro dia.

A primeira delas foi sobre ‘Cases de Projetos Ágeis‘, de Nikolai Albuquerque, na qual comentou sobre os 7 passos para o gerenciamento ágil de projetos: cultura, coragem, conhecimento, equipe, estratégia, roadmap e visibilidade, enfatizando a necessidade da implantação de processos a partir das deficiências da empresa.

Na segunda, Wankes Leandro, na palestra ‘Escritórios de Projetos Governamentais‘ comentou sobre os tipos de PMOs: Nível 1 – Estação Metereológica [operacional]; Nível 2 – Torre de Controle [tático] e Nível 3 – Órgão Regulador [estratégico]; sobre o foco atual em pesquisas relacionadas à desempenho de PMOs e sobre as características importantes de todo PMO: simplicidade, comunicação, foco em atividades que agreguem valor com implantações iniciais via piloto, apoio aos GPs apoiando-o não só na forma, mas no conteúdo, entendimento dos problemas organizacionais e apoio do patrocinador. Ele ainda comentou que os PMOs têm sido vistos como novos “equipamentos públicos” e falou sobre OSMs [Office of Strategic Management], conceito mais amplo de PMO, abrangendo escritório de projetos, processos, qualidade, governança e estatística.

A terceira palestra, intitulada ‘Inovar é uma questão de sobrevivência‘, foi apresentada por Celso Camilo, o qual enfatizou que inovar é invenção + usabilidade, fazendo um paralelo com o Chindogu, ferramenta japonesa que liberta a criatividade e que não corresponde à inovação propriamente dita. Comentou também que pesquisa é aplicar dinheiro para gerar conhecimento e que inovação é aplicar conhecimento para gerar dinheiro. Além disso, enfatizou que o processo de destruição criativa é um fato essencial do capitalismo e que o certo é uma variável temporal [Ex. KODAK].

Na quarta palestra, intitulada ‘Auto-gerenciamento: o poder do empowerment em times ágeis‘, Leandro Farias apresentou as fases de formação de times e o papel do líder em tais fases: time se formando = líder muito direcionador e pouco servidor; time em conflito = líder muito direcionador e muito servidor; time formado = líder pouco direcionador e muito servidor; time com alta competência e alto direcionamento = pouco direcionador e pouco servidor. Citou também o ‘Candle Problem‘, que evidenciou que nem sempre recompensa financeira ajuda na produtividade, podendo ainda atrapalhá-la. É comprovado que no século 21, era do conhecimento, recompensa/punição não funcionam mais como antigamente. Comentou também sobre ROWE [Results Only Work Environment], uma estratégia de gerenciamento de recursos humanos em que os funcionários são pagos pelos resultados em vez do número de horas trabalhadas.

Por fim, José Roberto Marques, presidente do IBCCoaching, falou sobre o papel do Coaching no mundo corporativo e suas bases na administração, psicologia, filosofia e teologia. No final da apresentação, a galera ainda ganhou o mais novo livro de José Roberto, ‘Leader Coach – Coaching Como Filosofia de Liderança‘. Angelo Valle ainda falou sobre ‘Gestão de Stakeholders‘ e sua inclusão como uma nova área de conhecimento no PMBOK 5 Edição e sobre a ISO 21500, novo padrão da Organização Internacional de Padrões com foco em Gerência de Projetos.

No próximo post falamos do segundo e terceiro dia… 🙂

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Gerência de Projetos de Software na iDez

Durante o mês de Janeiro ministrei a disciplina ‘Gerência de Projetos de Software’ para alunos da Especialização em Desenvolvimento WEB da Faculdade Estácio iDez.

Ao longo de 3 sábados, os alunos tiveram uma visão prática das áreas de conhecimento descritas no PMBOK. Ao final, após a teoria sobre o SCRUM, os alunos puderam praticar os conceitos simulando fábricas de aviões de papel.

aulaScrum

O material das aulas está disponível no Slideshare: Aula 1, Aula 2, Aula 3, SCRUM.

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Lançamento do Livro Teoria de Ação Comunicativa Sistêmica em Gestão de Projetos

No dia 24 de Janeiro de 2013, no Anfiteatro do Centro de Informática (CIn) da UFPE, ocorreu o lançamento do livro Teoria de Ação Comunicativa Sistêmica em Gestão de Projetos. Escrito por sete professores universitários e doze alunos de mestrado e doutorado do CIn-UFPE [entre eles, eu] o livro é organizado pelos professores Antônio Carlos Valença e Hermano Perreli de Moura, e trata perspectivas do futebol no nordeste. Através de sistemas incorporados na tecnologia de informação (TI) da Aliança Estratégia da Holon e Valença Associados, é predominante no projeto a defesa da Pesquisa Qualitativa Sistêmica (método e processo concebidos por Antonio Carlos Valença desde a década de 70) com o uso de softwares SysQuali, SysDecision e SysLogic.

O livro é organizado em cinco partes interdependentes. A primeira tem seis artigos teóricos que versam sobre os fundamentos gerais da moderna gestão de projetos, escritos pelos professores e palestrantes  Valença, Moura, César Augusto Delmas, Guilherme Carvalho, Hector Paulo de Lima Oliveira, Lélio Varella e Graciele Moura, além de doze alunos do mestrado e doutorado inscritos na disciplina de Teoria de Ação Comunicativa Sistêmica em Gestão de Projetos. Os temas abordados nesses artigos são: Conversação produtiva como meio da observação e criação da teoria da ação humana; Implementação da estratégia (focando a complementaridade das duas atividades); Evidências sistêmicas de sucesso e fracassos em gestão de projetos, numa leitura sistêmica de fatores; O Aprimoramento de competências e o sucesso em projetos – pela visão do PMI.

Na segunda parte há a defesa do método e das técnicas, onde Valença apresenta o Pensamento como um processo sistêmico e demonstra como os Princípios sistêmicos foram acionados na pesquisa, além de fazer uma tentativa de isolamento dos fatores de determinação estrutural numa partida de futebol, sob o título ‘Alguns fatores do jogo de futebol’.

A terceira parte, que trata sobre a ‘Compreensão diagnóstica sistêmica da realidade do futebol do nordeste’, apresenta os resultados e as análises do estudo de caso. Valença e os alunos do mestrado e doutorado do CIn-UFPE apresentam vários arquétipos sistêmicos comentados, frutos da análise de todos os fatores (proposições/enunciados) apresentados sobre este tema pelos alunos participantes.

Na quarta parte, Valença endereça quinze Perguntas Estratégicas, decorrentes das análises sistêmicas efetuadas pelos alunos participantes. A tese fundamental do autor é que uma  resposta estrategicamente eficaz a cinco dentre as quinze perguntas endereçadas pelo autor poderiam transformar para melhor a realidade dos negócios e da posição do nordeste no cenário do futebol brasileiro. Na sequência, em uma técnica de auto-questionamento ou de questionamento por uma voz polifônica, ele se antecipa e procura responder a outras potenciais perguntas sobre o método e suas limitações.

A quinta parte traz detalhada descrição da história dos softwares SysDecision, SysQuali e SysLogic, cujas origens remontam à década de 70, com uma cuidadosa explicação de suas funcionalidades básicas. Deve-se observar que estes e outros softwares da Aliança Estratégica da Holon e Valença & Associados estão inteiramente voltados para atender aos princípios epistêmicos e normativos (deônticos) da Ciência da Ação, da Teoria dos Sistemas, da Pesquisa Qualitativa Sistêmica e da Aprendizagem Organizacional. Todos os seus softwares  operam em inter-relação constante com uma plataforma inteligente de produção de relatórios sistêmicos, de modo que qualquer intervenção ou serviço destas empresas têm sempre uma apresentação em forma de diagramas sistêmicos acompanhados de respectivos discursos (narrações e análises) coletivos sistêmicos, inteiramente inovadores do ponto de vista semântico-pragmático.

O livro pode ser baixado aqui!

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Palestra na UFPB (Campus IV) sobre o Papel do Gerente de Projetos

A convite da Universidade Federal da Paraíba, campus IV, ministrei a palestra ‘O Papel do Gerente de Projetos: Atribuições e Ações”, na qual foi enfatizada a importância não só do conhecimento baseado nas melhores práticas, mas das habilidades gerenciais, como liderança, negociação e comunicação.

Apresentação na UFPB - Rio Tinto

Apresentação na UFPB – Rio Tinto

Foi uma ótima oportunidade também para dar visibilidade à academia sobre os trabalhos que estão sendo realizados na Dataprev, já que os atuais alunos podem ser nossos colegas de trabalho daqui a alguns anos.

O material da apresentação está disponível em  http://goo.gl/aOXXU.

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Agilidade em Empresas Públicas de TI: Sonho ou Realidade?

A necessidade de entregas com máximo valor de negócio possível no menor tempo tem sido cada vez mais priorizada por quem desenvolve sistemas. No âmbito de Empresas Públicas de Tecnologia da Informação, aliar a formalidade exigida pelo contexto governamental com a agilidade requerida pelo mercado tem sido um grande desafio.

O artigo publicado e apresentado no VI Workshop de Gerenciamento de Projetos de Software realizado em Junho em Fortaleza – CE [disponível aqui] apresenta um estudo de caso da implantação de práticas ágeis baseadas no SCRUM no gerenciamento de projetos de software distribuídos na DATAPREV. Tais projetos faziam parte de um programa para desenvolvimento de um produto de grande porte de âmbito nacional.

Diante do formalismo inerente ao contexto governamental, com contratos rigorosos em
que, no início do projeto, já há um comprometimento com custos e datas de entregas,
nem sempre é possível garantir a agilidade sugerida pelas várias metodologias existentes
no mercado em Empresas Públicas de Tecnologia da Informação. Apesar disso, algumas
práticas podem ser incorporadas nos processos já existentes nas empresas garantindo
uma melhoria significativa.

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A simplicidade é a sofisticação máxima

Segundo Max Weber, sociólogo alemão, carisma significa “a qualidade de uma personalidade individual pela qual a pessoa se diferencia de pessoas comuns sendo tratada como dotada de poderes ou qualidade sobrenaturais, sobre-humanos ou, no mínimo, excepcionais“. De fato, é inquestionável a presença dessa habilidade nas stevenotes, como são conhecidas as keynotes de Jobs, transformando a exibição típica de slides, que é tediosa, mecânica e lenta em um evento teatral completo: com heróis e vilões, elenco de apoio e telas de fundo estonteantes.

As keynotes de Jobs na MacWorld Expo 2007 e 2008 foram consideradas as melhores apresentações de todos os tempos. O lançamento do Macintosh é considerado uma das apresentações mais impressionantes da história do corporativismo nos Estados Unidos.

Nas seções abaixo estão algumas das técnicas apresentadas por Carmine Gallo no livro “Faça como Steve Jobs” usadas por Jobs em suas apresentações.

Cativando o público

Antes de mais nada, Jobs fazia conforme recomendado pela maioria dos principais designers de apresentação: começava no papel.

Uma apresentação de Steve Jobs apresentava poucas palavras, sem a utilização de marcadores, uma vez que a história e não os slides é que mobiliza a imaginação da sua plateia. Uma imagem é o método mais poderoso de comunicar uma ideia. De forma geral, as grandes apresentações possuem os nove elementos abaixo:

  • Slogan: Deve ser curto (140 caracteres ou menos), inesquecível e redigida na sequência sujeito-verbo-objeto. Exemplo: “Hoje a Apple reinventa o telefone!”;
  • Declaração de amor: Aristóteles, o pai da oratória, acreditava que os oradores de sucesso deviam ter pathos, ou seja, paixão por seu assunto;
  • Três mensagens básicas: Os ouvintes conseguem se lembrar somente de três ou quatro pontos na memória recente;
  • Metáforas e analogias: Segundo Aristóteles, a metáfora é “de longe, a coisa mais importante.” Exemplo: “O computador é, para mim, a ferramenta mais notável que já inventamos. É como uma bicicleta para nossa mente”. As analogias também são muito eficazes e ajudam a compreender conceitos que podem ser estranhos para a plateia;
  • Demonstrações: As demonstrações constituem grande parte das apresentações de Jobs, mostrando as principais funcionalidades de seus produtos;
  • Parceiros: Jobs dividia o palco com parceiros importantes e também com seus produtos;
  • Depoimento do cliente e aval de terceiros: O boca a boca é uma das ferramentas de marketing mais eficazes;
  • Videoclipes: Utilize videoclipes em suas apresentações, mas evite vídeos que durem mais que dois ou três minutos;
  • Flip charts, suportes e show-and-tell: Há três tipos de aprendizes: o visual (a maioria recai nessa categoria), o auditivo (ouvintes) e o cinestésico (pessoas que gostam de sentir e tocar). Os slides não narram uma história, o apresentador narra. Dessa forma, os slides devem apenas complementar a história.

A apresentação de Jobs seguia o clássico plano de cinco pontos de Aristóteles para criar um argumento persuasivo: apresentava uma história ou relato que despertasse o interesse da plateia; propunha um problema que tivesse de ser solucionado ou uma pergunta a que se tivesse de responder; sugeria uma solução para o problema proposto; descrevia os benefícios específicos decorrentes da adoção do curso de ação exposto em sua solução; e, por fim, incitava a plateia a agir.

Steve Jobs estabelecia a base de uma história convincente apresentando para sua plateia um antagonista, um inimigo e um problema que precisa de uma solução. Ao introduzir o antagonista (o problema), a plateia se agrupava em torno do herói (a solução). Exemplo: Dos 30 minutos da apresentação do iPhone na MacWorld 2007 ele dedicou três minutos para explicar o motivo pelo qual o iPhone é um produto cujo momento tinha chegado, apresentando os vilões como os smartphones existentes no mercado. A estratégia de “nós contra eles” atrai adeptos, estimula controvérsias e cria lealdades, fazendo-nos pensar, discutir e, é claro, comprar.

O apresentador tem que criar um espaço no cérebro da plateia para que este retenha a informação que ele esta prestes a transmitir. Se o apresentador oferecer uma solução sem definir o problema isso não vai acontecer. Dessa forma, deve ser criada uma resposta concisa para as perguntas: “O que você faz?“, “Que problema você resolve?“, “Qual é o seu diferencial?“, “Por que devo me interessar?“. De acordo com as pesquisas sobre o funcionamento cognitivo, a plateia começa a “morrer” depois de 10 minutos.

Steve Jobs em ação

Em geral, Jobs elaborava um roteiro verbal para sua plateia, uma pré-estreia das próximas atrações. Os roteiros eram esquematizados em grupos de três: uma apresentação podia ser dividida em três atos; a descrição do produto em três recursos; e uma demonstração em três etapas. Para Jobs, a “regra de três” era um dos conceitos mais poderosos da teoria da comunicação.

Na Apple Worldwide Developers Conference, em 2005, Jobs anunciou a mudança do processador PowerPC da IBM para o processador da Intel. Ele disse:

Em sua historia, o Mac passou por duas transições importantes. A primeira, do 68K para o PowerPc. Essa transição ocorreu cerca de 10 anos atrás, em meados dos anos 1990. A Apple utilizou o PowerPc na década seguinte. Foi uma boa mudança. A segunda transição foi maior, envolvendo a mudança do OS9 para o Os X, que concluímos alguns anos atrás. Foi um transplante de cérebro. Embora esses sistemas operacionais variem no nome por somente um dígito, são mundos distintos em tecnologia. O OSX é o sistema operacional mais avançado do mundo e configurara os produtos da Apple pelos próximos 20 anos. Hoje é o momento de começar a terceira transição. Queremos constantemente produzir o melhor computador para vocês e para nossos outros usuários. É a hora de uma terceira transição. Sim, é verdade. Vamos iniciar a transição dos processadores PowerPC paras Intel.

Em resumo: deve ser criada uma lista de todos os pontos-chave que se quer repassar para plateia sobre o produto, serviço, empresa ou iniciativa; a lista deve ser classificada até ficar com somente três mensagens importantes, que proporcionará o roteiro oral para a abordagem de vendas ou apresentação; e, por fim, deve-se adicionar recursos retóricos para enriquecer a narrativa (histórias pessoais, fatos, exemplos, analogias, metáforas e avais de terceiros).

A simplicidade de Jobs

Jobs praticava o zenbudismo, cujo princípio central é o conceito denominado kanso ou simplicidade. Segundo Renolds, “a arte zen japonesa ensina que é possível expressar grande beleza e transmitir mensagens poderosas por meio da simplificação”. Uma apresentação de Jobs era muito simples, visual e sem marcadores. Pesquisas sobre o funcionamento cognitivo provam que os marcadores são a maneira menos eficaz de transmitir informações importantes. Exemplo de apresentação de Jobs na MacWorld 2008:

Palavras de Jobs Slides de Jobs
Quero relembrar 2007. Não demora. Foi um ano excepcional para a Apple. Diversos produtos novos incríveis: o surpreendente iMac, os impressionantes iPods e, é claro, o revolucionário iPhone. Além disso, o Leopard e todos os outros softwares que lançamos em 2007 2007
Foi um ano excepcional para a Apple e preciso de apenas um instante para dizer a vocês: muito obrigado. Tivemos um apio enorme de todos os nossos clientes, e realmente apreciamos isso. Assim, muito obrigado por um excepcional 2007l Obrigado!
Hoje falarei a respeito de quatro coisas para vocês. Então, vamos começar. A primeira é o Leopard. 1
Fico empolgado por revelar que vendemos mais de 5 milhoes de copias do Leopard nos primeiros 90 dias. Inacreditavel. É o lançamento mais bem-sucedido do Mac OS X de todos os tempos. 5.000.000 de cópias vendidas nos 3 primeiros meses.

Jobs baseou-se nos princípios de Richard Mayer, professor doutor em psicologia educacional e estuda aprendizagem multimídia desde 1991:

  • Princípio da apresentação multimídia: É melhor apresentar uma explanação em palavras e imagens que somente em palavras;
  • Princípio da contiguidade: Ao dar uma explanação multimídia, apresente palavras e imagens correspondentes de modo contíguo em vez de separado. Quando o cérebro tem a possibilidade de construir duas representações mentais de uma explanação – um modelo verbal e um modelo visual, as conexões mentais são muito mais fortes.
  • Principio da atenção dividida: Ao dar uma explanação multimídia, apresente as palavras como uma narração auditiva e não como um texto visual, na tela;
  • Principio da coerência: Ao dar uma explanação multimídia, utilize poucas palavras e imagens em vez de muitas e irrelevantes.

Nos slides de Jobs podia-se perceber evidências de contenção, simplicidade e uso poderoso, mas sutil, do espaço vazio. Isso dava aos slides um espaço visual pra respirar. Espaço e branco significa elegância, qualidade e clareza.

Segundo John Medina, se a informação for apresentada oralmente, as pessoas lembram cerca de 10%, testadas 72h depois da exposição. A porcentagem cresce para ate 65% se for apresentada uma imagem. A melhor forma de ajudá-las a compreender é tornar esses números pertinentes a algo com que elas já estão familiarizadas. Exemplo: anúncio do iPod com 30 GB: “Memória suficiente para 7,5 mil musicas, 25 mil fotos ou ate 75 horas de vídeo.

As técnicas de Jobs

Geralmente as empresas bem-sucedidas, antes de bancar um produto impactante, testam-no com um grupo de parceiros, que concordam em endossá-lo publicamente ou em assinar resenhas para a mídia e formadores de opinião, dando a essas empresas referencias imediatos, avais e testemunhos. A melhor ferramenta de vendas de uma empresa é o aval do cliente

Segundo Guy Kawasaki, em O jeito Macintosh, uma boa demonstração deve ser:

  • Curta: Não pode entediar a plateia;
  • Simples: Compreensível e fácil de acompanhar. “Não deve comunicar mais de uma ou duas mensagens importantes. O objetivo é exibir para a platéia o suficiente para que ela fique seduzida, mas não tanto para que fique desnorteada”;
  • Gratificante: Devem ser exibidos “os recursos mais incríveis, diferenciando seu produto dos concorrentes”;
  • Ágil: Ter um ritmo acelerado. “Nunca faça nada em uma demonstração que dure mais que 15 segundos”;
  • Substancial: Mostrar claramente como seu produto oferece uma solução para um problema que sua plateia esta enfrentando no mundo real.

As demonstrações ajudam os apresentadores a criar uma conexão emocional com todo tipo de aprendiz da plateia: o visual, o auditivo e o cinestésico. Os aprendizes visuais correspondem a cerca de 40% da plateia, os quais aprendem por meio da visualização. Dessa forma, devem ser elaborados slides com poucas palavras e muitas imagens. Os aprendizes auditivos representam de 20% a 30% da plateia. Devem ser usadas técnicas verbais e retóricas, através de histórias pessoais ou exemplos eloquentes para apoiar as mensagens principais. Os aprendizes cinestesicos são aqueles que aprendem fazendo, movendo-se e tocando. Devem ser usados objetos, exercícios escritos, ou fazendo-os participar das demonstrações.

As palavras que Jobs empregava para descrever um produto eram evidentemente importantes, assim como a maneira como ele as expressava. Jobs, quando estava no clímax, fazia três coisas que qualquer um pode e deve fazer para aprimorar as habilidades oratórias e de apresentação: ele estabelecia contato visual, mantinha uma postura aberta e fazia gestos frequentes com as mãos.

A pesquisa científica descobriu que o contato visual está associado à honestidade, confiança, sinceridade e segurança e a falta dele à falta de confiança e de capacidade de liderança. A quebra do contato visual é infalível para perder a conexão com sua plateia. Jobs sabia exatamente o que havia em cada slide e o que ia dizer no momento em que o slide apareceria. Os slides de Jobs eram essencialmente visuais, forçando o apresentador a transmitir a informação oralmente para o público-alvo daquela mensagem – a plateia.

Jobs raramente cruzava os braços ou ficava atrás de um púlpito. Sua postura era aberta, não colocando nada entre si e sua plateia. Ao manter as mãos paradas, o apresentador se mostra rígido e formal. Jobs, por sua vez, enfatizava quase toda frase com um gesto que complementa suas palavras. Além disso, ele diversificava sua expressão verbal para criar suspense, entusiasmo e emoção utilizando quatro técnicas: inflexão, pausas, volume, ritmo.

Segundo Albert Mehrabian, pesquisador cientifico da UCLA, os sinais não verbais causam maior impacto em uma conversa. O tom de voz, por sua vez, é o segundo fator mais influente e as palavras realmente ditas são o terceiro e o menos importante. As pessoas julgam o apresentador o tempo todo, mas, principalmente, nos primeiros 90 segundos do encontro.

De modo a se preparar para perguntas difíceis ou delicadas, Jobs utilizava o método do balde que consistia em: identificar as perguntas mais comuns que podem ser formuladas; colocar as perguntas em “baldes” ou categorias, elaborando a melhor resposta que puder dar para a categoria; ouvir com atenção a pergunta, identificando a palavra-chave que ajudará a escolher o balde correto do qual tirar sua resposta; e olhar a pessoa nos olhos e responder com confiança.

O texto é um overview do livro ‘Faça como Steve Jobs’, de Carmine Gallo. Disponível também como uma seção do verbete http://pt.wikipedia.org/wiki/Steve_Jobs.

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